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Gestão e Empreendedorismo · Técnicas de Elaboração de Roteiros · 1 tempo de 50 minutos

Do gasto ao preço: quanto cobrar por um roteiro

Seis passos, uma conta por linha, um caso de verdade. No fim da aula você sabe montar o preço de qualquer roteiro que for operar como guia — e sabe quantas pessoas precisa vender para não pagar a viagem do próprio bolso.

São Pedro da Aldeia ⇄ Petrópolis
Bate-volta de sábado · micro-ônibus de 28 lugares · Museu Imperial, Centro Histórico e almoço
Preço por pessoa
R$ ???
descobrimos no passo 4

O que vamos ver

Esta aula tem um caminho só, do primeiro orçamento até a decisão de colocar o roteiro à venda. Clique em qualquer etapa para ir direto a ela.

EtapaO que você vai aprender
1. CotarSeparar todos os gastos em três caixas — e treinar com um jogo rápido.
2. Grupo mínimoPor que nunca calcular com o ônibus cheio.
3. Custo por pessoaQuanto cada passageiro precisa pagar para a viagem empatar.
4. Preço de vendaO “bolo do preço final” e por que dividimos por 0,75.
5. Ponto de equilíbrioQuantas vagas vender para não ter prejuízo.
6. TestarSimulador do micro-ônibus: e se vender 10, 15, 21 ou 28?
Caso realUm roteiro de alunos de 2013 revisado com o método de hoje.
DesafioSerra da Mantiqueira: resolva em dupla e confira a resposta.
A conta do mêsQuantas saídas por mês sustentam o seu negócio.
Posso operar?Guia, agente e operador: o que a lei permite e os três caminhos.
CalculadoraMonte o preço do roteiro do seu Projeto Final.

Hobby caro ou negócio?

Se você cobrar “o que parece justo” e o ônibus sair com 12 pessoas, quem paga a diferença?

Quase sempre é o próprio guia. A diferença entre um hobby caro e um negócio não está no carinho com o roteiro — está em fazer a conta antes de divulgar o preço. E a conta é sempre a mesma, para qualquer roteiro:

1Cotar: anotar todos os gastos reais
2Definir o grupo mínimo
3Achar o custo por pessoa
4Montar o preço de venda
5Achar o ponto de equilíbrio
6Testar: e se não lotar?

Os passos 1 a 3 são a cotação (levantar quanto custa). Os passos 4 a 6 são a cotização (transformar custo em preço de venda). Só existem quatro contas na aula inteira: somar, dividir, multiplicar e subtrair.

Passo 1

Cotar: todo gasto cai em uma de três caixas

Antes de pensar em preço, liste tudo que vai sair do seu bolso. Depois, coloque cada gasto em uma caixa. A pergunta que separa as caixas é simples: “esse gasto muda se vier mais uma pessoa?”

A

Conta do grupo

Paga o mesmo valor com 5 ou com 28 pessoas.

  • Ônibus, van ou micro
  • Sua diária de guia
  • Pedágio, estacionamento
  • Divulgação
  • Reserva para imprevistos
No livro: custo fixo
B

Conta da pessoa

Cada passageiro a mais, esse gasto aumenta.

  • Almoço
  • Ingressos
  • Seguro viagem
  • Água, lanche, brinde
  • Hospedagem por pessoa
No livro: custo variável
C

Mordidas na venda

Não é valor fixo: é um pedaço (%) de cada venda.

  • Taxa da maquininha ou link
  • Comissão de quem vendeu
  • Imposto sobre a venda
  • Seu lucro desejado
No livro: custos indiretos e margem
Sua diária entra na Caixa A. Você trabalha 15 horas nesse dia. Se não colocar seu pagamento na conta, o “lucro” que sobrar é só o seu salário disfarçado — e o roteiro não se sustenta.
E os gastos “meio a meio”? Alguns têm parte fixa e parte por pessoa (ex.: restaurante que cobra taxa de reserva + prato por pessoa; transporte com valor fixo até 200 km + valor por km extra). Separe em duas linhas: a parte fixa vai na A, a parte por pessoa vai na B. Pronto, resolvido.

Jogo rápido: em que caixa vai?

Pense na resposta antes de clicar. A pergunta-chave é sempre a mesma: esse gasto muda se vier mais uma pessoa?

Acertos: 0 de 10

O caso da aula

Petrópolis Imperial: a cotação completa

Saída de São Pedro da Aldeia às 6h, retorno às 21h. Micro-ônibus executivo de 28 lugares, Museu Imperial, caminhada no Centro Histórico, almoço e serviço de bordo.

Valores de referência para a aula. O Museu Imperial cobra R$ 10 a inteira em 2026; os demais valores são estimativas realistas para treinar. No seu roteiro, cada número precisa vir de uma cotação real — orçamento por escrito, print ou e-mail, guardado nos anexos.

Caixa A — conta do grupo

GastoValor
Micro-ônibus 28 lugares com motorista, combustível e pedágios (bate-volta, ~400 km)R$ 3.000,00
Sua diária de guiaR$ 400,00
Alimentação do motorista e do guiaR$ 120,00
Divulgação (artes e impulsionamento)R$ 180,00
Reserva para imprevistosR$ 200,00
Total da Caixa AR$ 3.900,00

Caixa B — conta de cada pessoa

GastoValor por pessoa
Almoço (executivo com bebida)R$ 60,00
Ingressos (Museu Imperial R$ 10 + um atrativo a cotar R$ 15)R$ 25,00
Seguro viagemR$ 5,00
Kit de bordo (água, lanche, brinde)R$ 15,00
Total da Caixa BR$ 105,00

Caixa C — mordidas na venda

Mordida% de cada venda
Taxa da maquininha / link de pagamento5%
Lucro desejado (o que fica para o negócio crescer)20%
Total da Caixa C25%
Leia a cotação inteira, não só o preço. Pergunte sempre: combustível está incluso? pedágio? o motorista fica à disposição na cidade ou só leva e busca? existe número mínimo de pagantes? qual o prazo para pagar o sinal? Cada “não” vira uma linha nova na sua planilha.

Passo 2

Grupo mínimo: nunca conte com o ônibus cheio

Se você dividir o ônibus por 28 e vender só 20, o preço já nasce errado. A regra de mercado é calcular como se só 75% das vagas fossem vendidas (entre 70% e 80%, conforme a época).

Vagas à venda28
×Ocupação que vou considerar0,75
=Grupo mínimo21 pessoas
Deu número quebrado? Arredonde para cima. Gente não vem em pedaço: 12,6 pessoas são 13 pessoas.

Passo 3

Custo por pessoa: duas contas curtas

Primeiro, divida a conta do grupo pelo grupo mínimo. É quanto cada passageiro precisa pagar do ônibus, da sua diária e do resto da Caixa A.

Conta do grupo (Caixa A)R$ 3.900,00
÷Grupo mínimo21
=Parte do grupo, por pessoaR$ 185,71

Depois, some o que cada pessoa gasta sozinha.

Parte do grupo, por pessoaR$ 185,71
+Conta da pessoa (Caixa B)R$ 105,00
=Custo por pessoaR$ 290,71

Esse é o mínimo que cada passageiro precisa pagar para a viagem sair do zero a zero — com o grupo de 21. Ainda não tem lucro nem taxa de cartão aqui.

Passo 4

Preço de venda: o bolo do preço final

Aqui está o passo que mais confunde — e a explicação é uma só: a maquininha e o seu lucro são calculados sobre o preço que o cliente paga, não sobre o custo. Por isso a gente começa pelo preço final e anda de trás para frente.

O preço final é um bolo inteiro (100%)

Desse bolo, saem três fatias:

Roxo: custo da viagem · Vermelho: maquininha · Dourado: seu lucro

Se o custo só pode ocupar 75% do bolo, e você sabe quanto é o custo, dá para descobrir o tamanho do bolo inteiro.

O caminho do dinheiro, de trás para frente

O cliente paga: o dinheiro entra no caixa100%
−A maquininha tira do caixa (não do custo)5%
−Você guarda para o negócio20%
=O que sobra para pagar o custo75% = 0,75

Então, em linguagem de conta, são duas frases que dizem a mesma coisa:

Preço final × 0,75= Custo
Preço final= Custo ÷ 0,75

Primeiro com um número redondo

Um passeio que custa R$ 30 por pessoa:

CustoR$ 30,00
÷Parte do bolo que paga o custo0,75
=Preço finalR$ 40,00

Prova real — corte o bolo de R$ 40 e veja se tudo fecha:

Cliente pagaR$ 40,00
−Maquininha (5% de 40)R$ 2,00
−Lucro (20% de 40)R$ 8,00
=Sobra para o custoR$ 30,00 ✓

Agora no caso Petrópolis

Custo por pessoaR$ 290,71
÷Parte do bolo que paga o custo0,75
=Preço calculadoR$ 387,61
↑Arredondo para cimaR$ 390,00
Prova real: cliente pagaR$ 390,00
−Maquininha (5% de 390)R$ 19,50
−Lucro (20% de 390)R$ 78,00
=Sobra para o custo (precisa de 290,71)R$ 292,50 ✓

Por que não multiplicar por 1,25? A pegadinha

Parece lógico: “quero 5% de taxa + 20% de lucro, então faço custo × 1,25”. O erro é que, assim, os 25% são calculados em cima do custo. Só que a maquininha não quer saber quanto o passeio custou: ela cobra 5% do valor que o cliente paga na hora. E esse valor come uma parte do lucro que você achou que estava protegido.

Multiplicando (errado)

30 × 1,25R$ 37,50
−Maquininha (5% de 37,50)R$ 1,87
−CustoR$ 30,00
=Lucro realR$ 5,63 (15%)

Dividindo (certo)

30 ÷ 0,75R$ 40,00
−Maquininha (5% de 40)R$ 2,00
−CustoR$ 30,00
=Lucro realR$ 8,00 (20%)

No caso Petrópolis a diferença pesa mais: multiplicando, o preço seria R$ 363,39 e o lucro real cairia para R$ 54,51 por pessoa (15%). Dividindo, com R$ 390, ficam R$ 79,79 — os 20% planejados.

Para lembrar: “O cliente paga e o dinheiro entra no caixa. A maquininha tira 5% do caixa. Eu guardo 20% do caixa. Então o custo só pode ocupar 75% do caixa. Se R$ 290,71 são 75%, o total é 290,71 ÷ 0,75.”

Tabela pronta: por quanto dividir

Mudou o lucro ou a taxa? Some as fatias que saem do bolo e procure o número na tabela. Quem já ouviu falar em “markup” vai reconhecer a última coluna: é o mesmo cálculo, só que multiplicando.

Fatias que saem do bolo (taxas + lucro)Divida o custo porou multiplique por (markup)
20%0,801,25
25% (caso da aula)0,751,33
30%0,701,43
35%0,651,54
40%0,601,67
Quanto de lucro colocar? Roteiro popular, família, escola: 10% a 20%. Roteiro equilibrado: 20% a 30%. Experiência exclusiva, grupo pequeno, personalizado: 30% ou mais. Quem decide o teto é o valor que o cliente enxerga — conforto, exclusividade, seu conhecimento do destino, a história que você conta.

Passo 5

Ponto de equilíbrio: a poltrona do empate

Agora a pergunta muda: com o preço de R$ 390, quantas pessoas eu preciso vender para não perder dinheiro?

Primeiro, descubra quanto cada passageiro deixa para pagar o ônibus (a Caixa A). Tire do preço só a maquininha e a conta da pessoa — o lucro não sai daqui, porque ele ainda não existe.

Preço de vendaR$ 390,00
−Maquininha (5% de 390)R$ 19,50
−Conta da pessoa (Caixa B)R$ 105,00
=Sobra por pessoaR$ 265,50

Depois, veja quantas “sobras” cabem na conta do grupo.

Conta do grupo (Caixa A)R$ 3.900,00
÷Sobra por pessoaR$ 265,50
=Resultado14,69
↑Ponto de equilíbrio15 pessoas
Frase para o Projeto Final: “Para não termos prejuízo, precisamos vender no mínimo 15 vagas. A partir do 16º passageiro, cada venda deixa R$ 265,50 de lucro.” E repare: mesmo no empate, sua diária de R$ 400 já foi paga.

No livro, a “sobra por pessoa” se chama margem de contribuição, e a conta é: ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ (preço − custos variáveis por pessoa).

Passo 6

Testar: e se não lotar?

Arraste e veja o micro-ônibus encher. Poltronas lilás estão pagando a conta do grupo; poltronas douradas já são lucro. A poltrona contornada é a do empate.

21
vaga livrepaga a conta do grupolucro
Dinheiro que entra—
Saem (maquininha + caixas A e B)—
Resultado da viagem—

VendasResultadoO que fazer
10 pessoas− R$ 1.245,00Não sai. Adiar, trocar para van, ou juntar com outro grupo.
15 pessoas+ R$ 82,50Empate. A viagem se paga e sua diária está garantida.
21 pessoas+ R$ 1.675,50Meta. É o grupo que usamos para calcular o preço.
28 pessoas+ R$ 3.534,00Lotou. Bom momento para abrir uma segunda data.
Proteja-se antes de vender: defina uma data de corte (ex.: 10 dias antes, se não houver 15 confirmados, a saída é adiada e o valor devolvido) e escreva isso no contrato junto com a política de cancelamento. Confira também o mínimo exigido pelos fornecedores: se o hotel só garante a tarifa com 30 pagantes, seu grupo mínimo não pode ser 22.

E se o mercado mudar?

O fretamento subiu 10% (de R$ 3.000 para R$ 3.300): a Caixa A vai para R$ 4.200. Com o mesmo preço, o equilíbrio passa a ser 4.200 ÷ 265,50 = 15,8 → 16 pessoas. Você decide: absorve (aceita vender uma vaga a mais para empatar) ou repassa (refaz os passos 3 e 4).

O cliente aceita pagar R$ 420 porque você incluiu um café colonial exclusivo de R$ 12: a sobra por pessoa vira 420 − 21 − 117 = R$ 282. Equilíbrio: 3.900 ÷ 282 = 13,8 → 14 pessoas. Valor percebido baixa o seu risco.

Caso real de sala de aula

Petrópolis em 2013 e o que muda em 2026

Em 2013, a aluna Lorena Rezende (curso de Guia de Turismo, Senac Rio) montou um roteiro de 3 dias para 30 estudantes da UFRRJ: saída dos Arcos da Lapa, hotel no Centro Histórico, cinco museus. Custo total cotado: R$ 16.460. A conta dela foi exatamente a dos passos 2 e 3:

Grupo mínimo: 30 × 75%22 pessoas
Custo total ÷ 22R$ 748,00
Se vender as 30: 30 × 748R$ 22.440,00
=Lucro com o grupo cheioR$ 5.980,00

O que ela acertou

  • Cotações reais e por escrito, anexadas ao trabalho (hotel e fretamento).
  • Não dividiu por 30: usou 75% das vagas como grupo mínimo.
  • Pediu e conseguiu cortesia de hospedagem para guia e motorista.
  • Incluiu guia acompanhante e guia local como custo.

O que atualizar com o método de hoje

  • O hotel exigia mínimo de 30 pagantes. Com 22, a tarifa de grupo podia cair — o risco estava escrito na cotação.
  • O ônibus “não fica à disposição, só leva e busca”: faltou o transporte dentro de Petrópolis (Quitandinha fica fora do Centro).
  • Faltaram as mordidas da Caixa C: maquininha, imposto, comissão.
  • O lucro só aparecia com 30 vendas. Hoje separamos o lucro desejado (passo 4) e calculamos o empate (passo 5).
  • Preços mudam: o ingresso do Museu Imperial passou de R$ 8 para R$ 10. Cotação tem validade — a do ônibus era de 30 dias.

Desafio em duplas · 5 minutos

Serra da Mantiqueira de van

Van 4x4 de 15 lugares. Use ocupação de 75%, maquininha 5% e lucro 20%.

GastoCaixaValor
Van 4x4 (diária)AR$ 800,00
Guia de montanhaAR$ 400,00
CombustívelAR$ 150,00
Lanche de trilhaBR$ 25,00
Seguro aventuraBR$ 15,00
Kit primeiros socorrosBR$ 10,00
Ver a resolução
1Caixa A: 800 + 400 + 150R$ 1.350,00
Caixa B: 25 + 15 + 10R$ 50,00
2Grupo mínimo: 15 × 0,75 = 11,2512 pessoas
31.350 ÷ 12 = 112,50 + 50R$ 162,50
4162,50 ÷ 0,75 = 216,67 ↑R$ 220,00
5Sobra: 220 − 11 − 50 = 159R$ 159,00
=Equilíbrio: 1.350 ÷ 159 = 8,49 ↑9 pessoas

Para o seu negócio

A conta do mês: quantas saídas eu preciso?

Até aqui olhamos uma viagem. Mas sua empresa também tem gastos que existem mesmo sem viagem nenhuma no mês. É a mesma lógica da Caixa A, só que mensal.

Gasto mensal da sua empresa (exemplo)Valor
Imposto fixo do MEI (DAS de serviço)≈ R$ 86,00
Celular e internetR$ 120,00
Ferramentas (site, design, agenda)R$ 60,00
Deslocamentos para visita técnica e prospecçãoR$ 134,00
Total do mêsR$ 400,00

Cada saída do caso Petrópolis com 21 pessoas te dá a diária (R$ 400) mais o lucro (R$ 1.675,50) = R$ 2.075,50. Se você quer tirar R$ 3.000 por mês:

Gastos do mêsR$ 400,00
+Quanto quero ganhar no mêsR$ 3.000,00
=Preciso gerarR$ 3.400,00
÷O que cada saída me dáR$ 2.075,50
↑Saídas por mês (1,64)2 saídas
Atenção ao teto do MEI. O limite do MEI em 2026 continua R$ 81 mil por ano (há proposta de aumento tramitando no Congresso). Quando você vende o pacote fechado, o valor que o cliente paga tende a entrar inteiro no seu faturamento: 2 saídas × 21 pessoas × R$ 390 = R$ 16.380 por mês. Nesse ritmo, o teto anual estoura em uns 5 meses. Quem vai operar com frequência precisa conversar com um contador sobre ME no Simples Nacional — ou operar em parceria com uma agência que fature o pacote.

Antes de vender

Posso montar e vender esse roteiro como guia?

Sim — pelo caminho certo. Ser guia credenciado te dá o direito de conduzir o grupo. Vender o pacote fechado (transporte + almoço + ingressos por um preço só) já é outra atividade: a lei chama isso de agência de turismo.

PapelO que fazO que precisa
GuiaConduz, informa e acompanha o grupo.Curso técnico de Guia de Turismo + cadastro no Cadastur (como pessoa física ou MEI). Lei 8.623/1993.
AgenteVende o roteiro, recebe o dinheiro, faz o contrato.Pessoa jurídica cadastrada como agência de turismo no Cadastur. Lei 11.771/2008, art. 27.
OperadorMonta o produto: cota, contrata fornecedores, cuida da logística.Mesmo registro de agência. É o que você treinou nesta aula.
Vender pacote sem registro de agência é ilegal. A Lei 12.974/2014 trata o exercício das atividades privativas de agência sem registro como contravenção penal. “Fazer uma vaquinha da excursão” no seu CPF não protege nem você nem o cliente.

Três caminhos para operar

Parceiro de agência

Você cria e conduz o roteiro; uma agência cadastrada vende no CNPJ dela. Você recebe diária e uma parte combinada do lucro.

Melhor para começar: zero burocracia, a agência assume contrato e nota.

MEI de agente de viagens

Ocupação “agente de viagens independente” (CNAE 7911-2/00) + cadastro de agência no Cadastur. A Lei 14.978/2024 incluiu o MEI no Cadastur.

Bom para testar o mercado. Cuidado com o teto de R$ 81 mil por ano.

Microempresa (Simples)

Agência própria com contador. Faturamento maior, imposto calculado sobre a venda (entra na Caixa C).

Para quem vai operar várias saídas por mês.

O transporte também tem regra

Contrate sempre empresa de fretamento autorizada. Dentro do estado do Rio, a fiscalização é do órgão estadual (DETRO-RJ). Saindo do estado — como Petrópolis → Juiz de Fora (MG) — o fretamento é interestadual e precisa de licença de viagem da ANTT, com lista de passageiros. Peça o comprovante à transportadora. A Lei 14.978/2024 passou a permitir que o guia conduza veículo próprio na atividade, mas levar grupo pagante em van ou ônibus continua seguindo as regras de transporte de passageiros.

Material didático, não é consultoria jurídica ou contábil. Antes de abrir empresa, confirme com um contador e no portal do Cadastur.

Ferramenta para o Projeto Final

Calculadora: o meu roteiro

Ela já vem com o caso Petrópolis. Clique em “Começar do zero” e preencha com as cotações reais do seu grupo. Tudo fica salvo neste navegador.

Nome do roteiro

Caixa A — conta do grupo

Caixa B — conta de cada pessoa

Vagas e Caixa C

MEI paga imposto fixo por mês: deixe “imposto sobre venda” em 0 e coloque o DAS na conta do mês. Microempresa no Simples: pergunte a alíquota ao contador.

Para levar

Checklist antes de divulgar qualquer roteiro

Dicionário da aula

Como falamos na aulaComo aparece no livro e no mercado
Levantar os gastosCotação
Transformar gasto em preçoCotização
Conta do grupo (Caixa A)Custo fixo
Conta da pessoa (Caixa B)Custo variável
Caixa A + Caixa B do grupo inteiroCusto Operacional Total (COT)
Mordidas na venda (Caixa C)Custos indiretos + margem de lucro
Número por que divido ou multiplicoMarkup (divisor ou multiplicador)
Sobra por pessoaMargem de contribuição
Poltrona do empatePonto de equilíbrio (PE)